POTENCIAL TERAPÊUTICO DE EREMANTHUS ERYTHROPAPPUS: AVALIAÇÃO DE PRODUTOS NATURAIS COMO ALTERNATIVAS CONTRA A ESQUISTOSSOMOSE
Resumo
A esquistossomose é uma doença negligenciada que afeta milhões de pessoas em regiões tropicais e subtropicais, sendo tratada majoritariamente com praziquantel (PZQ), cuja eficácia apresenta limitações e risco de resistência. Nesse contexto, a biodiversidade brasileira oferece oportunidades promissoras para a descoberta de novos agentes antiparasitários. Este estudo avaliou o potencial anti-helmíntico do extrato lavado (LEE) e do extrato etanólico (EEE) de Eremanthus erythropappus, bem como de compostos isolados, utilizando ensaios in vitro e in vivo contra Schistosoma mansoni. Em testes in vitro, o LEE induziu mortalidade total dos vermes adultos em 24 h a 200 μg/mL e em 72 h a 25 μg/mL, com EC₅₀ de 18,1 μg/mL, alta seletividade (SI > 27,6) e ausência de citotoxicidade em células de mamíferos (CC₅₀ > 500 μM). O EEE apresentou atividade apenas na concentração máxima testada. Dentre os compostos isolados, o ácido betulínico demonstrou atividade significativa (EC₅₀ = 36,8 μM; SI > 15,5) sem citotoxicidade. Em modelo murino, o LEE (400 mg/kg) reduziu a carga de vermes em 86,2%, a deposição de ovos imaturos em 86,9% e ovos maduros em 33,3%, com redução de 80,9% no número de ovos por grama de fezes. O ácido betulínico promoveu redução de 41,9% na carga de vermes, comparável à do praziquantel (92,6%). Os resultados indicam que o LEE de E. erythropappus possui notável potencial terapêutico contra a esquistossomose, sendo um canditato promissor para o desenvolvimento de novas estratégias de tratamento.
